Pesquisa mostra os impactos devastadores da pandemia sobre a classe
trabalhadora. Sobrecarga de trabalho, falta de recursos básicos, e desrespeito
por parte das autoridades públicas e até mesmo da população agravam a situação

Após denunciar o [maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil](https://portal.fiocruz.br/noticia/observatorio-covid-19-aponta-maior-colapso-sanitario-e-hospitalar-da-historia-do-brasil), a Fundação Oswaldo Cruz, através da Escola Nacional de Saúde Pública, publicou nesta segunda uma pesquisa intitulada “Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19”, contendo o levantamento de dados mais amplo até agora sobre o trabalho dos profissionais de saúde no tratamento da COVID-19, e os reflexos sobre suas próprias vidas.
Os dados revelam que 77,6% dos profissionais de saúde envolvidos no combate à pandemia são mulheres, e que 84% atuam em jornadas de trabalho de até 60 horas semanais, decorrente da necessidade de mais de um vínculo de trabalho (45%), haja vista as baixas remunerações médias do setor, o que leva ao excesso de trabalho e à estafa física e mental, que neste caso se agrava em razão das circunstâncias que cercam a pandemia e sua situação no Brasil, como o grande número de mortes e a falta de condições adequadas de trabalho, que se somam a medo de ser contaminado e de levar à doença para seus familiares.
Segundo [matéria publicada pela agência de notícias da Fiocruz](https://agencia.fiocruz.br/covid-19-estudo-avalia-condicoes-de-trabalho-na-saude), o questionário que subsidiou a pesquisa obteve mais de 25 mil respostas, contemplando além de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos, fisioterapeutas e farmacêuticos, todas as categorias profissionais da área da Saúde, inclusive administrador hospitalar, engenheiro (segurança do trabalho, sanitarista) e um expressivo número de residentes e graduandos da área da saúde, em mais de dois mil municípios.”
Cerca de 25% dos profissionais que responderam o questionário já foram infectados pela Covid-19.
Segundo Maria Helena Machado, coordenadora da pesquisa, ao invés de o Estado garantir o suporte necessário para os profissionais que estão na luta de frente contra a Covid, o que se tem visto é a redução de direitos trabalhistas, a terceirização em larga escala, o desemprego, a perda de renda, salários baixos, e gastos extras com compras de EPIs, transporte alternativo e alimentação, que tem sido assumidos pelos próprios profissionais.
> “A pandemia revelou a essencialidade da saúde em nossas vidas e paradoxalmente, revelou o quanto os profissionais de saúde não são considerados e respeitados nesse processo. Por meio da pesquisa, constata-se o estado de exaustão e sofrimento desses profissionais, que já entraram na pandemia adoecidos e cansados, e a situação sob a qual estão expostos só piorou tal quadro”.
O advogado Luis Fernando Silva (OAB/SC 9582), um dos fundadores do SLPG Advogados, é um dos advogados que participa da pesquisa na parte relativa à análise sobre as consequências jurídicas da situação verificada na pesquisa, em particular quanto às questões trabalhistas e previdenciárias envolvidas
Por fim, além dos links compartilhados acima, recomendamos a reportagem “[Choro, medo e exaustão: pesquisa inédita revela o colapso dos profissionais de saúde do Brasil](https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/03/21/choro-medo-e-exaustao-pesquisa-inedita-revela-o-colapso-dos-profissionais-de-saude-do-brasil.ghtml)”, exibida no último domingo pelo programa Fantástico, da TV Globo.
Informativo SLPG
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